Algo interessante vem acontecendo aqui no Brasil com as relações sociais dos profissionais liberais: muitos estão tornando-se empregados, trabalhando para empresários que nem da profissão são. Outros estão se tornando donos de empresas de prestação de serviços, estando portando na outra ponta do capitalismo. Finalmente temos aqueles que mudam de lado conforme o vento: hora são explorados e hora são exploradores. Os tipicos profissionais liberais eram o medico, o dentista, o advogado e o engenheiro civil. Cada uma dessas profissões podem dar origem a uma empresa prestadora de serviços e ai temos a figura do diretor clinico, do dono do escritorio de advocacia e do engenheiro chefe ou o equivalente. Acontece que existem medicos assalariados, bem como dentistas, advogados e engenheiros. A iniciativa privada é livre e um empresário pode sentir-se atraido pelos lucros a serem auferidos pela exploração dessas atividades. O empresário visa o lucro e então a qualidade dos seus serviços somente serão reguladas pelo poder publico ou pelo mercado. Ele assumirá todo risco do negócio e poderá ser um oportunista, como pode acontecer em qualquer ramo. No entanto, por serem profissões e serviços que lidam com bens muito preciosos dos seus clientes (a vida, a saude, a liberdade, a segurança e o dinheiro em ultima análise) a sociedade deveria ter meios de se defender e se proteger de tais investidas.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Dificuldades para a sobrevivência de multinacionais
Sabe-se que pouco mais de 2% dos empregados brasileiros trabalham em empresas multinacionais. Nos ultimos anos muitas dessas empresas foram vendidas aos grandes grupos nacionais ou então diminuiram muito de tamanho. Temos aqui no Brasil empresas de todo o mundo, que são atraidas pelo nosso imenso mercado consumidor ou por outras oportunidades. Muitas vem para ficar. Outras tentam se estabelecer mas sucumbem as dificuldades intrinsecas. A facilidade da lingua e cultura atrai empresas de origem latina por exemplo. Isso é natural. No entanto, temos tambem laços com o Japão e com a Alemanha, paises de lingua muito diferente do portugues. Finalmente, empresas inglesas e americanas são poucas por estas bandas mas tambem estão presentes. Muitas dessas empresas eram ilhas de bem estar para os seus funcionários e foram vendidas a grupos brasileiros, como a American Express (comprada pelo Bradesco) ou o Banco de Boston (comprado pelo Itau). Outras devido ao grande numero de empregados brasileiros tiveram de ser mais brasileiras, com o caso da General Motors. Muitas são empresas de tecnologia que empregam relativamente poucos empregados. Esse era o caso da Kodak nos seus áureos tempos. A necessidade de servir a duas culturas aumenta o custo da empresa imagino eu e portanto somente se seu mercado (representado pelos seus clientes) for muito lucrativo a empresa crescerá. Outro exemplo de empresa americana que deixou o Brasil foi a Esso, vendida para a Cosan, empresa nacional ligada a produção de alcool. Caso o mercado seja muito lucrativo atrairá a cobiça de outras empresas, muitas delas nacionais, que podem tem acesso a emprestimos subsidiados do governo brasileiro, por exemplo. Acho que as maiores empresas americanas aqui no Brasil são a Ford e a General Motors. A construção civil sempre foi dominada por empresas nacionais e tem por caracteristica empregar a mão de obra de mais baixo nivel educacional (operarios). Resta a fronteira da tecnologia da informação e seus gadgets onde temos novamente muitos players, entre eles algumas empresas americanas de peso mas que empregam relativamente poucas pessoas.
Alienação ou "Bitola"
Tenho observado alguns jovens proximos a mim e os resultados não são muito animadores. Alguns são alienados das coisas que acontessem a sua volta: não estão nem aí. Outros são vítimas das suas visões limitadas da realidade, por falharem em dar ouvidos a quem mereça e por não procurarem fontes fidedignas para chegar as suas conclusões: são os bitolados. Será que existem somente essas possibilidades ? Todo jovem é desse jeito ? Lembro-me da minha adolescência: as fontes de informação eram poucas: bibliotecas e jornais. Conversas com pessoa interessada em dar atenção as minhas indagações eram com o vizinho. Muitas das minhas opiniões eram formadas pelo o que chegava a mim e pelas minhas próprias experiências e isso era pouco para fazer um juizo correto muitas vezes. Faltou muito conhecimento para tomar decisões sábias. Hoje esse conhecimento está disponível mas parece que os jovens não sabem como aproveitá-lo. É tão comum que muitas empresas vendem produtos para jovens sabendo das suas limitações e assim obtem um lucro até certo ponto escuso, como é o caso das empresas de cigarros.
Como ser eleito no Brasil
Para ser eleito é necessário ser conhecido dos eleitores. Devido ao grande numero de votos necessarios, muitos artistas e jogadores de futebol conseguem ser eleitos. Aparecer na mídia portanto é fundamental, de preferência na televisão, já que muitos brasileiros são analfabetos funcionais. Não basta aparecer uma vez ou outra em horários de baixa audiência é preciso frequencia, duração e intensidade. Outra estratégia é ter uma "base eleitoral", ou seja, uma região ou conjunto de eleitores que conhece o candidato pessoalmente ou por sua atuação. É o caso de um líder sindical, de um professor famoso, de um benfeitor (como um médico). São pessoas nas quais o "povo" acredita. Podemos incluir pastores nessa categoria também. Em casos de menor necessidade de votos pode até existir a compra de votos. A verdade é que ser eleito não é muito fácil para a maioria das pessoas: são muitos candidatos, poucas as vagas e muito diversas as opiniões/interesses dos votantes.
Cooperativas, associações e conselhos
A ideia é bonita: a união faz a força ! Todos por um e um por todos ! Esse princípio é a base das cooperativas, associações e conselhos. Como essas entidades são compostas por pessoas eleitas, temos aqui um processo parecido com os cargos eletivos do governo. Outro ponto é a grande possibilidade de ocorrer desvios de todo tipo nessas organizações, pelo menos aqui no Brasil. A solução seria a obrigatoriedade de auditoria externa e interna nas contas dessas "empresas". Já vimos a falência de muitas cooperativas, normalmente devido a má gerência, desvios e fraudes. Lembro da Unimed São Paulo, da qual meu pai era associado. Ninguém garante que os "eleitos" sejam pessoas idôneas e bem intencionadas ou que tenham habilidades administrativas. Nas empresas privadas, capitalistas e que visam o lucro, existem cuidados para evitar fraudes ou ineficiências pelos seus prepostos e mesmo assim as fraudes e as perdas acontecem. Nas empresas americanas com participação acionária pulverizada existe um conselho, e, nesse conselho, existe um Auditor Geral, com amplos poderes. Isso é o que melhor existe e mesmo assim não é perfeito.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Competitividade, qualidade de vida e deslocamentos
Em uma cidade como São Paulo, onde vivem 20 milhões de pessoas (caso consideremos a região metropolitana), deslocar-se pode significar a diferença entre ser competitivo no trabalho e ter uma qualidade de vida digna e confortável. O mercado sabe disso e o preço dos imóveis acompanham a "mancha urbana". Morar longe do trabalho pode significar até 4 horas diarias dentro do carro. Trata-se de um tempo precioso, que poderia ser utilizado para fazer-se um curso superior, desfrutar da companhia da familia ou até mesmo usufruir de lazer. Minha familia estabeleceu-se proxima a residencia dos meus avós paternos. Essa decisão comprometeu todos os nossos deslocamentos, pois a universidade onde estudei ficava na zona oeste, o emprego do meu pai mudou de lugar algumas vezes (da zona leste, para a central e depois para a sul) e os meus empregos tambem foram em locais distantes, como Morumbi. Na minha epoca de procurar moradia tentei corrigir essas deficiencias mudando-me para proximo do emprego, solução essa que durou pouco mas foi benvinda na epoca. Essa questão parece ser insoluvel aqui em São Paulo, porque as pessoas compram cada vez mais carros e os locais de trabalho são em geral distantes do local de moradia, por questões de custo. A solução é morar perto no metro caso o mesmo sirva para deslocar-se até o local de trabalho ou então andar de moto, correndo todos os riscos inerentes a essa escolha.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Uma Festa Portuguesa
Ontem fomos a uma festa de Bodas de Ouro. Foi a terceira na minha vida: a primeira foi dos meus avós paternos. A segunda de um casal de vizinhos muito querido e esta, a terceira, de primos do meu falecido pai. A festa foi portanto do lado portugues da familia e foi muito boa. Eles parecem ser pessoas de vida simples mas muito unidos a familia. Hoje em dia, com os recursos de informatica disponiveis, fomos até presenteados com uma cópia do CD da retrospectiva do casal. Tudo muito singelo e bonito. Gosto de festas de casamento e de casamentos felizes e bem sucedidos. Sabe aquele lema: A união faz a força ? Acho que é isso . . .
As qualidades e os defeitos
Todos nos temos qualidades e defeitos. Num casamento, cujos participantes pretendam que dure, o mais importante é suportar os defeitos do outro sem muito sacrificio ou sofrimento. Quem diz isso é o Flavio Gikovate. Parece que as qualidades são mais facilmente esquecidas quando os defeitos emergem. Acho que isso é verdade tambem para a promoção de empregados, nas empresas privadas. Então: devemos primeiro eliminar nossos defeitos, para depois buscar aprimorar nossas qualidades, caso queiramos ter sucesso em nossos casamentos.
domingo, 26 de setembro de 2010
Colegio Bandeirantes Revisited
Hoje fui com meu sobrinho ao Bandeirantes para uma visita extensiva de 4 horas. Trata-se de um dos colégios mais caros e tradicionais de São Paulo, encravado no bairro do Paraíso e onde estudei entre 1979 e 1981. Faz portanto uns 30 anos que eu não adentrava aquelas salas. A experiência foi boa e gratificante. As vezes os pais são assaltados pela dúvida em quanto investir na educação de um filho. Passam pela cabeça do pai se o filho aproveitará o investimento feito e se o dinheiro gasto é bem utilizado pelo colégio. O Bandeirantes é um colégio particular e uma empresa com fins lucrativos. Nesse ponto difere de outros que são considerados de "utilidade publica" e que portanto gozam de isenção de impostos. A infra-estrutura é excelente e na minha opinião é um diferencial positivo. Igualmente, os professores parecem otimos, como eram no meu tempo. Sabe-se que eles estão entre os mais bem remunerados de São Paulo e provavelmente do Brasil. Bons professores, bons alunos, bons recursos e alunos oriundos de boas familias (ricas ou pelo menos remediadas). Os concorrentes tambem procuram ser os melhores. Como tudo na vida, eles tambem tem seus pontos fortes e fracos. A escolha para quem tem recursos não é muito dificil. Para quem tem limitações, talvez valha a pena investir em um colegio mais barato, como o Agostiniano Mendel, mesmo porque o jovem não sofreria tanto com as diferenças de classe social ao ser comparado aos seus colegas, fator que embora seja subjetivo pode fazer uma grande diferença na auto-estima de seres em formação.
sábado, 25 de setembro de 2010
Salarios na iniciativa privada
Os salarios na iniciativa privada são determinados em parte pelo mercado, onde a lei da oferta e da procura vige e também pelo o que determina a direção da empresa. Explico: existem empresas que querem ter os melhores profissionais do mercado e para conseguir isso estão dispostas a pagar salarios acima do valor de mercado. O mercado é muito relativo, porque temos empresas pequenas, médias e grandes, empresas com alto indice de tecnologia, empresas em que os salarios representam montantes pequenos com relação aos demais custos e empresas com altos indices de certificação e fiscalização. Portanto as variaveis são muitas para chegar ao salário final. Tambem existe o fator espacial: salarios em São Paulo certamente serão maiores do que em Recife por exemplo. Outra influência é o tempo que o empregado tem na empresa: devido aos dissídios anuais com ganhos reais, o salario pode dobrar em termos reais depois de alguns anos e quando a empresa tiver uma crise (e as crises sempre acontecem no capitalismo) um dos alvos poderá ser justamente os empregados antigos, que ganham mais e que podem estar "cansados". Além disso as empresas sofrem crises conjunturais e estruturais: nas crises conjunturais as empresas fazem pequenos ajustes esperando que o mercado reaja. Já nas crises estruturais linhas de produtos e serviços são descontinuados e ai são demitidos peões e gerentes. Até fábricas são fechadas e vendidas. Demitir empregados é caro no Brasil, por isso as empresas em geral esperam um pouco para demitirem e tentam manter os gerentes, porque acreditam que se precisarem contratar novamente os gerentes conseguiram fazê-lo. Muitas chegam por exemplo ao ponto de ter um Diretor e um unico funcionario: um assistente. Ganhar muito dinheiro e por muito tempo na empresa privada aqui no Brasil é, portanto, um desafio e tanto.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
A inveja da felicidade alheia
Sabe-se que toda diferença gera sentimentos de inferioridade e humilhação para a maioria das pessoas. Muitas vezes esses sentimentos tornam-se insuportáveis para os indivíduos e então surgem manifestações de hostilidade que podem culminar com a recusa a relacionar-se com o diferente ou superior. É como digo: as diferenças em geral afastam mais as pessoas do que as atraem. Embora a riqueza seja a mais ostensiva das diferenças por saltar aos olhos (basta citar as roupas, os carros e os endereços) existem outras, como a instrução/educação e a felicidade, que pode ser a sentimental por exemplo. Como o numero de infelizes nos relacionamentos amorosos é muito grande aqui no Brasil, aqueles que são felizes podem se tornar alvo de inveja. E essa inveja se manifesta de forma diferente nos homens e mulheres. As mulheres gostam de fazer intrigas e envenenar, em geral, a mulher que compõe o casal. Já os homens parecem ser menos ligados no assunto felicidade sentimental, talvez pela educação que receberam ou pela ideologia que adotam. No entanto, os homens parecem muito sensiveis as diferenças materiais, como por exemplo se um deles compra um carrão ou então nas diferenças de poder. Eu perdi amigos por inveja no passado: as diferenças acabaram com a amizade. Somente termino uma amizade por problemas que envolvem dinheiro, como por exemplo quando tentam se apropriar do que é meu por direito ou quando existem problemas morais (o amigo fica do lado contrário a verdade e justiça). Ai não tem volta e vale o ditado: antes só do que mal acompanhado.
A Influencia e a ideologia das familias
Sou um estudioso e observador das pessoas em geral. Como faço muitas perguntas posso obter uma visão panoramica do que passa pela mente dos seres humanos com os quais tenho contato. Recentemente pude verificar que muitos pais fazem pressão significativa para que suas ideias sejam adotadas por seus filhos. Criam criaturas sem opinião própria, fracas em sua essencia e repetidoras iguais a papagaios das palavras de seus pais. O pior é que essa lavagem cerebral pode ser muito profunda, levando os filhos a terem até reações neuróticas quando são desafiados em suas convicções. A conclusão é que quanto maior a lavagem cerebral menor será a capacidade de um estranho, seja ele um professor, amigo, chefe, namorado/marido ou parente de mudar a "verdade" que a criatura introjetou. Alguns chamam isso de "valores familiares". Tenho minhas dúvidas se são mesmo "valores" . . .
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
O Anarquismo Individualista
O pequeno manual do anarquismo individualista - Émile Armand
Este ensaio foi escrito em 1911 e publicado posteriormente na Enciclopédia Anarquista de Sébastien Faure.
***
IO anarquista é aquele que nega a autoridade e rejeita seu corolário econômico: a exploração. E isso em todas as áreas de atividade humana. O anarquista deseja viver sem deuses nem mestres; sem patrões nem diretores; alegais, sem leis e preconceitos; amorais, sem obrigações e moralidades coletivas. Ele deseja viver em liberdade, viver sua concepção pessoal de vida. Em seu interior, ele é sempre um a-social, um refratário, um excluído, alguém que está à margem, à parte, um inadaptado. É por obrigação que vive em companhia daqueles cujos hábitos repugnam seu temperamento, é como um estranho no ninho. Ele só se submete aquelas condições indispensáveis — e sempre com certo pesar — para não arriscar ou sacrificar tola e desnecessariamente sua vida, uma vez que as considera como armas de defesa pessoal na luta pela existência. O anarquista deseja viver sua vida, o tanto quanto possível, moral, intelectual e economicamente independente do resto mundo, sem preocupação com explorados e exploradores; sem a intenção de dominar ou explorar os outros, mas pronto a reagir por quaisquer meios àqueles que venham a intervir em sua vida ou a proibi-lo de expressar sua opinião através da pena ou da fala.O anarquista é o inimigo do Estado e de todas as instituições que mantêm ou perpetuam a submissão do indivíduo. Não há possibilidade de reconciliação entre o anarquista e qualquer forma de sociedade baseada na autoridade, seja ela aristocrática ou democrática. Não há área de concordância entre o anarquista e um ambiente dirigido pelas decisões de uma maioria ou pela voz de uma elite. O anarquista luta contra aquilo que é ensinado pelo Estado e referendado pela Igreja. Ele é o adversário dos monopólios e privilégios, tendo eles natureza intelectual, moral ou econômica. Em suma, ele é o adversário irreconciliável de todos os regimes, de todos os sistemas sociais, de tudo o que implique a dominação de um homem ou de um grupo sobre o indivíduo, da exploração de um indivíduo por outro ou pelo grupo.O trabalho do anarquista, acima de tudo, é uma crítica. O anarquista semeia a revolta contra aqueles restringem a livre expressão individual. Ele livra as mentes das idéias preconcebidas, liberta aqueles cujas mentalidades estão aprisionadas pelo medo e auxilia aqueles que já se emanciparam das convenções sociais; o anarquista incentiva aquele que deseja se rebelar junto a ele contra o determinismo do meio social, que deseja afirmar sua individualidade, esculpir sua estátua interior, ser o tanto quanto possível independente do ambiente moral, intelectual e econômico. Ele pressionará o ignorante a se informar, o apático a reagir, o fraco a se fortalecer, o submisso a se levantar. Ele pressiona os mal dotados a tirar de si todos os recursos possíveis e a não depender dos outros.Um abismo separa o anarquismo do socialismo em todos os seus aspectos, incluindo o sindicalismo.O anarquista coloca o ato individual em primeiro lugar no seu conceito de vida. Por isso ele é denominado anarquista individualista.Ele não pensa que os males de que sofre a humanidade advêm exclusivamente do capitalismo ou da propriedade privada. Ele pensa que se devem especialmente à natureza falha da mentalidade humana como um todo. Só existem mestres porque há escravos, só existem deuses porque há fiéis. O anarquista individualista não tem interesse numa revolução violenta que tem como objetivo a transformação do modo de distribuição de bens para um sistema comunista ou coletivista que não leve a uma mudança na mentalidade geral e a uma emancipação do indivíduo. Sob o comunismo, ele será subordinado à boa vontade do Meio: permanecerá tão pobre e miserável quanto agora. Em vez de estar sob o jugo de uma pequena minoria capitalista, ele será dominado pelo coletivo econômico. Nada será exclusivamente seu. Ele será um produtor ou um consumidor, nunca um indivíduo autônomo.
IIO anarquista individualista difere do anarquista comunista no sentido de que considera (além dos objetos de prazer que formam a extensão da personalidade) a propriedade privada dos meios de produção e a livre disposição de seus produtos como uma garantia essencial da autonomia individual. Esta propriedade se deve limitar à terra ou às máquinas indispensáveis ao atendimento das necessidades da unidade social (individual, casais, agrupamentos familiares, etc.); ela existe sob a condição de que o proprietário não a alugue nem recorra a outra pessoa para sua valorização.O anarquista individualista não quer viver a qualquer preço, como o individualista, que não se importaria em viver sob regulamentação, bastando que se lhe assegurasse uma tigela de sopa, vestes adequadas e uma casa para viver.O anarquista individualista, além disso, não se vincula a nenhum sistema futuro. Ele afirma estar em estado de autodefesa em relação a qualquer ambiente social (Estado, sociedade, meio, agrupamento, etc.) que admita, aceite, perpetue, aprove ou possibilite:a) a subordinação ao meio do indivíduo, o que o coloca em estado de patente inferioridade, uma vez que ele não pode tratar o todo de igual para igual, de potência para potência;b) a obrigatoriedade (em quaisquer áreas) do auxílio aos outros, da solidariedade, da associação;c) a privação da possessão individual e inalienável dos meios de produção e da disposição total e sem restrições de seus produtos;d) a exploração do homem por seus semelhantes, que o farão trabalhar para seu próprio benefício e lucros;e) a concentração, isto é, a possibilidade de que um indivíduo, casal ou agrupamento familiar possua mais do que o necessário para seu sustento;f) o monopólio do Estado ou de qualquer forma executiva que o substitua, ou seja, sua intervenção centralizadora, administrativa, diretiva e organizacional nas relações individuais, em quaisquer áreas;g) o empréstimo a juros, a usura, o ágio, a negociação comercial, a herança, etc, etc.
IIIO anarquista individualista faz sua "propaganda" para selecionar aqueles temperamentos anarquistas individualistas que se ignoram e determinar um ambiente intelectual favorável a seu desenvolvimento. As relações entre anarquistas individualistas têm por base a "reciprocidade". A "camaradagem" é de ordem essencialmente individual, jamais é imposta. É um "camarada" aquele com quem é agradável estar individualmente, que faz um apreciável esforço para se sentir vivo, que toma parte da propaganda crítica educativa e da seleção das pessoas; que respeita o modo de viver de cada um, que não interfere no desenvolvimento de seus companheiros e no daqueles que o conhecem mais de parto.O anarquista individualista não é jamais um escravo de uma fórmula ou receita. Ele não aceita opiniões. Propõe apenas teses. Se adotar em algum momento certo estilo de vida, é para que se lhe assegure maior liberdade, maior felicidade, maior bem-estar, não tendo em vista seu próprio sacrifício. Ele altera e transforma seu modo de vida quando percebe que, se continuasse a adotar aquele curso de ações, perderia parte de sua autonomia. Ele não quer se deixar dominar por princípios estabelecidos a priori; é nas experiências, no a posteriori, que se baseia sua conduta, que nunca é definitiva, mas está sempre sujeita a mudanças e transformações, de acordo com as novas experiências e com a necessidade de novas armas para combater o seu meio. Sem que nada seja um a priori absoluto.O anarquista individualista responde apenas por seus atos.O anarquista individualista considera associações somente como uma conveniência, uma necessidade temporária. Ele só deseja se associar no caso de uma urgência, mas sempre de forma voluntaria. Seus contratos duram pouco tempo, e são sempre assinados sob a condição de que estarão terminados imediatamente caso uma das partes se sinta lesada.O anarquista individualista não determina qualquer moral sexual. A vida sexual, afetiva ou sentimental de cada pessoa só diz respeito a ela mesma, para ambos os sexos. O que importa é que as relações sexuais entre anarquistas de sexos diferentes não haja força nem violência. O anarquista individualista pensa que a independência econômica e a possibilidade de ser mãe de acordo com a própria vontade são as condições iniciais da emancipação da mulher.O anarquista individualista quer viver, quer poder apreciar a vida individualmente, encarar a vida em todas as suas manifestações. Ele quer, porém, permanecer sendo o mestre de suas vontades, considerando como servos à disposição de seu "eu" seus conhecimentos, suas faculdades, seus sentidos, os vários órgãos perceptivos de seu corpo. Ele não é temeroso, mas não quer ser diminuído. Ele sabe muito em que aquele que se deixa levar pelas paixões ou dominar pelos impulsos é um escravo. Ele quer conservar o "controle de si" para se lançar às aventuras das pesquisas independentes e do livre exame. Ele recomenda uma vida simples, a renúncia aos luxos, das inutilidades; uma fuga das aglomerações humanas; uma alimentação racional e a prática da higiene corporal.O anarquista individualista se interessará em associações formadas por certos camaradas para fugir à obsessão de um Meio que lhes repugna. Ele é simpático à recusa ao serviço militar e a pagar impostos; às uniões livres surgidas como protesto contra a moralidade vigente; ao ilegalismo, como ruptura violenta (com algumas reservas) com contratos econômicos impostos pela força; à abstenção de quaisquer ações, do trabalho ou de quaisquer funções que impliquem a manutenção ou a consolidação de um regime intelectual, ético ou econômico imposto; à troca de produtos entre anarquistas individualistas proprietários dos meios de produção, sem intermédio de nenhum capitalista; etc. Estes são atos de revolta próprios ao caráter do anarquismo individualista.
Émile Armand (1872-1962) foi um anarquista individualista francês. Fundou, junto com outros individualistas, a Ligue Antimilitariste e editou o jornal L'En-Dehors por 17 anos.
Este ensaio foi escrito em 1911 e publicado posteriormente na Enciclopédia Anarquista de Sébastien Faure.
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IO anarquista é aquele que nega a autoridade e rejeita seu corolário econômico: a exploração. E isso em todas as áreas de atividade humana. O anarquista deseja viver sem deuses nem mestres; sem patrões nem diretores; alegais, sem leis e preconceitos; amorais, sem obrigações e moralidades coletivas. Ele deseja viver em liberdade, viver sua concepção pessoal de vida. Em seu interior, ele é sempre um a-social, um refratário, um excluído, alguém que está à margem, à parte, um inadaptado. É por obrigação que vive em companhia daqueles cujos hábitos repugnam seu temperamento, é como um estranho no ninho. Ele só se submete aquelas condições indispensáveis — e sempre com certo pesar — para não arriscar ou sacrificar tola e desnecessariamente sua vida, uma vez que as considera como armas de defesa pessoal na luta pela existência. O anarquista deseja viver sua vida, o tanto quanto possível, moral, intelectual e economicamente independente do resto mundo, sem preocupação com explorados e exploradores; sem a intenção de dominar ou explorar os outros, mas pronto a reagir por quaisquer meios àqueles que venham a intervir em sua vida ou a proibi-lo de expressar sua opinião através da pena ou da fala.O anarquista é o inimigo do Estado e de todas as instituições que mantêm ou perpetuam a submissão do indivíduo. Não há possibilidade de reconciliação entre o anarquista e qualquer forma de sociedade baseada na autoridade, seja ela aristocrática ou democrática. Não há área de concordância entre o anarquista e um ambiente dirigido pelas decisões de uma maioria ou pela voz de uma elite. O anarquista luta contra aquilo que é ensinado pelo Estado e referendado pela Igreja. Ele é o adversário dos monopólios e privilégios, tendo eles natureza intelectual, moral ou econômica. Em suma, ele é o adversário irreconciliável de todos os regimes, de todos os sistemas sociais, de tudo o que implique a dominação de um homem ou de um grupo sobre o indivíduo, da exploração de um indivíduo por outro ou pelo grupo.O trabalho do anarquista, acima de tudo, é uma crítica. O anarquista semeia a revolta contra aqueles restringem a livre expressão individual. Ele livra as mentes das idéias preconcebidas, liberta aqueles cujas mentalidades estão aprisionadas pelo medo e auxilia aqueles que já se emanciparam das convenções sociais; o anarquista incentiva aquele que deseja se rebelar junto a ele contra o determinismo do meio social, que deseja afirmar sua individualidade, esculpir sua estátua interior, ser o tanto quanto possível independente do ambiente moral, intelectual e econômico. Ele pressionará o ignorante a se informar, o apático a reagir, o fraco a se fortalecer, o submisso a se levantar. Ele pressiona os mal dotados a tirar de si todos os recursos possíveis e a não depender dos outros.Um abismo separa o anarquismo do socialismo em todos os seus aspectos, incluindo o sindicalismo.O anarquista coloca o ato individual em primeiro lugar no seu conceito de vida. Por isso ele é denominado anarquista individualista.Ele não pensa que os males de que sofre a humanidade advêm exclusivamente do capitalismo ou da propriedade privada. Ele pensa que se devem especialmente à natureza falha da mentalidade humana como um todo. Só existem mestres porque há escravos, só existem deuses porque há fiéis. O anarquista individualista não tem interesse numa revolução violenta que tem como objetivo a transformação do modo de distribuição de bens para um sistema comunista ou coletivista que não leve a uma mudança na mentalidade geral e a uma emancipação do indivíduo. Sob o comunismo, ele será subordinado à boa vontade do Meio: permanecerá tão pobre e miserável quanto agora. Em vez de estar sob o jugo de uma pequena minoria capitalista, ele será dominado pelo coletivo econômico. Nada será exclusivamente seu. Ele será um produtor ou um consumidor, nunca um indivíduo autônomo.
IIO anarquista individualista difere do anarquista comunista no sentido de que considera (além dos objetos de prazer que formam a extensão da personalidade) a propriedade privada dos meios de produção e a livre disposição de seus produtos como uma garantia essencial da autonomia individual. Esta propriedade se deve limitar à terra ou às máquinas indispensáveis ao atendimento das necessidades da unidade social (individual, casais, agrupamentos familiares, etc.); ela existe sob a condição de que o proprietário não a alugue nem recorra a outra pessoa para sua valorização.O anarquista individualista não quer viver a qualquer preço, como o individualista, que não se importaria em viver sob regulamentação, bastando que se lhe assegurasse uma tigela de sopa, vestes adequadas e uma casa para viver.O anarquista individualista, além disso, não se vincula a nenhum sistema futuro. Ele afirma estar em estado de autodefesa em relação a qualquer ambiente social (Estado, sociedade, meio, agrupamento, etc.) que admita, aceite, perpetue, aprove ou possibilite:a) a subordinação ao meio do indivíduo, o que o coloca em estado de patente inferioridade, uma vez que ele não pode tratar o todo de igual para igual, de potência para potência;b) a obrigatoriedade (em quaisquer áreas) do auxílio aos outros, da solidariedade, da associação;c) a privação da possessão individual e inalienável dos meios de produção e da disposição total e sem restrições de seus produtos;d) a exploração do homem por seus semelhantes, que o farão trabalhar para seu próprio benefício e lucros;e) a concentração, isto é, a possibilidade de que um indivíduo, casal ou agrupamento familiar possua mais do que o necessário para seu sustento;f) o monopólio do Estado ou de qualquer forma executiva que o substitua, ou seja, sua intervenção centralizadora, administrativa, diretiva e organizacional nas relações individuais, em quaisquer áreas;g) o empréstimo a juros, a usura, o ágio, a negociação comercial, a herança, etc, etc.
IIIO anarquista individualista faz sua "propaganda" para selecionar aqueles temperamentos anarquistas individualistas que se ignoram e determinar um ambiente intelectual favorável a seu desenvolvimento. As relações entre anarquistas individualistas têm por base a "reciprocidade". A "camaradagem" é de ordem essencialmente individual, jamais é imposta. É um "camarada" aquele com quem é agradável estar individualmente, que faz um apreciável esforço para se sentir vivo, que toma parte da propaganda crítica educativa e da seleção das pessoas; que respeita o modo de viver de cada um, que não interfere no desenvolvimento de seus companheiros e no daqueles que o conhecem mais de parto.O anarquista individualista não é jamais um escravo de uma fórmula ou receita. Ele não aceita opiniões. Propõe apenas teses. Se adotar em algum momento certo estilo de vida, é para que se lhe assegure maior liberdade, maior felicidade, maior bem-estar, não tendo em vista seu próprio sacrifício. Ele altera e transforma seu modo de vida quando percebe que, se continuasse a adotar aquele curso de ações, perderia parte de sua autonomia. Ele não quer se deixar dominar por princípios estabelecidos a priori; é nas experiências, no a posteriori, que se baseia sua conduta, que nunca é definitiva, mas está sempre sujeita a mudanças e transformações, de acordo com as novas experiências e com a necessidade de novas armas para combater o seu meio. Sem que nada seja um a priori absoluto.O anarquista individualista responde apenas por seus atos.O anarquista individualista considera associações somente como uma conveniência, uma necessidade temporária. Ele só deseja se associar no caso de uma urgência, mas sempre de forma voluntaria. Seus contratos duram pouco tempo, e são sempre assinados sob a condição de que estarão terminados imediatamente caso uma das partes se sinta lesada.O anarquista individualista não determina qualquer moral sexual. A vida sexual, afetiva ou sentimental de cada pessoa só diz respeito a ela mesma, para ambos os sexos. O que importa é que as relações sexuais entre anarquistas de sexos diferentes não haja força nem violência. O anarquista individualista pensa que a independência econômica e a possibilidade de ser mãe de acordo com a própria vontade são as condições iniciais da emancipação da mulher.O anarquista individualista quer viver, quer poder apreciar a vida individualmente, encarar a vida em todas as suas manifestações. Ele quer, porém, permanecer sendo o mestre de suas vontades, considerando como servos à disposição de seu "eu" seus conhecimentos, suas faculdades, seus sentidos, os vários órgãos perceptivos de seu corpo. Ele não é temeroso, mas não quer ser diminuído. Ele sabe muito em que aquele que se deixa levar pelas paixões ou dominar pelos impulsos é um escravo. Ele quer conservar o "controle de si" para se lançar às aventuras das pesquisas independentes e do livre exame. Ele recomenda uma vida simples, a renúncia aos luxos, das inutilidades; uma fuga das aglomerações humanas; uma alimentação racional e a prática da higiene corporal.O anarquista individualista se interessará em associações formadas por certos camaradas para fugir à obsessão de um Meio que lhes repugna. Ele é simpático à recusa ao serviço militar e a pagar impostos; às uniões livres surgidas como protesto contra a moralidade vigente; ao ilegalismo, como ruptura violenta (com algumas reservas) com contratos econômicos impostos pela força; à abstenção de quaisquer ações, do trabalho ou de quaisquer funções que impliquem a manutenção ou a consolidação de um regime intelectual, ético ou econômico imposto; à troca de produtos entre anarquistas individualistas proprietários dos meios de produção, sem intermédio de nenhum capitalista; etc. Estes são atos de revolta próprios ao caráter do anarquismo individualista.
Émile Armand (1872-1962) foi um anarquista individualista francês. Fundou, junto com outros individualistas, a Ligue Antimilitariste e editou o jornal L'En-Dehors por 17 anos.
Born To Be Rebel
Li sobre a influencia da familia burguesa na criação de seus filhos. O vies do texto falava que o capitalismo vigente nas relações exteriores era introjetado no ambito familiar. E que o pai que era o provedor (portanto detentor do capital) oprimia a mulher (aqui no caso seria a classe proletária, ou seja, aqueles que somente tem o seu trabalho para trocar). A mulher então oprimiria os filhos e o irmão mais velho ao mais novo e assim sucessivamente. Gravei o texto que achei muito interessante e comecei a observar as familias proximas a mim e pude constatar que realmente muito disso era verdade. Sempre soube que o capital (dinheiro) significava liberdade para aqueles que sabem dominá-lo. Por isso tentei ganhar bastante dinheiro para me ver livre do trabalho assalariado e poder viver do capital. Sou contra a opressão e a exploração do proximo embora também obomine o comunismo/socialismo. Na verdade gosto do anarquismo individualista, vertente com muito poucos adeptos. Segundo o texto as pessoas somente se submetem a chefes tiranos porque aprenderam em casa com seus pais. Sabemos da dificuldade de mudar padrões aprendidos na infancia e no lar. Minhas ideias revolucionarias simplesmente não são compreendidas pela maioria dos meus interlocutores. No entanto fui revolucionario e criativo na minha vida em função da necessidade. Necessidade de lutar contra a opressão da familia, dos poderosos, do curriculo e do sistema, que a tudo e a todos reduz a aparências e futilidades.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Indícios
Na vida muitas vezes temos de tomar decisões fundamentadas em indícios e nesses casos devemos ter em mente estatisticas. Ter 100% de certeza antes de tomar uma decisão seria inviável pelo seu custo e pelo tempo necessário: Ficaríamos paralisados. Assim é que escolhemos um carro por exemplo. Nesse caso específico a recomendação de quem tem o mesmo modelo pode ser decisiva, levando-se em conta quando essa pessoa comprou o carro, já que o mesmo modelo pode mudar ao longo do tempo. O mesmo vale para as pessoas: um bom aluno deve entrar em uma boa universidade, como a USP. Na hora de escolher um profissional, ter estudado na USP e conseguido se formar é um indicativo de uma boa cabeça. Assim procedem os recrutadores e, no caso da pessoa cujas referências não corresponderem na prática, eles simplesmente a substituem. Nos nossos relacionamentos pessoais e comerciais o mesmo acontece: fazemos negócios com quem é aparentemente confiável e nos aproximamos de pessoas idem. No caso de nossas observações iniciais não corresponderem a verdade devemos abandonar esses relacionamentos e procurar novos. O problema ocorre quando existe monopolio nas relações comerciais. Nas relações pessoais esse monopolio nunca existirá pois somos 192 milhões de pessoas aqui no Brasil e uns 6 bilhões no mundo.
Questionar, Ponderar e Refletir
No titulo acima temos os verbos que definem o posicionamento adulto frente a vida e as situações que surgem no dia a dia. Com a revolução nas comunicações questionar ficou muito fácil: é só perguntar ao google. Antes era necessário ir até uma biblioteca e mesmo assim não tinhamos acesso instantaneo a informação, mesmo porque existem muitas bibliotecas. Ponderar e refletir são atividades que eu pratico de forma explicita aqui no blog. Já são 404 artigos, todos eles marcados por reflexões e ponderações . . .
terça-feira, 21 de setembro de 2010
A formação dos individuos
Existe uma relação entre a familia, escola e nivel socio economico cultural na formação das crianças. Qual o ideal ? Nascer em uma familia bem constituida, sem vícios e equilibrada e de preferência com alta renda para poder pagar boas escolas, já que aqui no Brasil a escola pública é sofrível. No entanto, devido ao nosso nivel de desenvolvimento poucas são as crianças que tem essa sorte. A maioria 85% estuda na escola publica e pertence a classe C. Não se admira portanto que os pontos de vista e o modo de ver o mundo sejam muito diferentes entre os "bons alunos e bem nascidos" e o resto, ou seja, aqueles que enfrentam dificuldades e tem de lutar contra todo tipo de limitações. O interessante é observar a evolução de que falei em outro artigo: gerações se sucedendo e evoluindo no tempo. O triste é ver que em algumas vezes a "evolução" é interrompida e acontece o retrocesso e a degeneração da raça e do pais. Outros exemplo são as exceções: alguem de classe social inferior que se sacrifica e consegue subir e melhorar e o contrario: alguém de classe social superior que cai e vai para hábitos e condições de vida inferiores. Aqui, nesse ponto, temos as relações sociais ou a "turma": pobres em contato com ricos bem intencionados podem despertar de seu "sono" e desejarem progredir. O exemplo é passado adiante atraves desses encontros ou então através da obtenção de informações confiaveis da midia. Com o advento da internet, pessoas inteligentes tem a chance de acessar todo tipo de informações, podendo fazer simulações e. em teoria, buscar ser mais feliz.
Meus Amigos e Parentes e suas Origens
O Brasil é um pais de imigrantes. E dentro do Brasil , São Paulo é a maior cidade, com certeza a mais rica e portanto a que mais atrai tudo e todos. Assim a titulo informativo eu sou descendente de imigrantes: portugueses por lado de pai e italianos por parte de mãe. Essas nacionalidades foram as que maiores contingentes enviaram ao Brasil. No entanto, meus amigos de infância são tambem descendentes de imigrantes: são espanhois, sirios, alemães, ingleses, holandeses. E tambem temos contato com japoneses (meu cunhado), judeus e libaneses (amigos também). Portanto tenho em meu circulo de amizades/parentes todas as etnias/nacionalidades significativas que vieram ao Brasil. Exceção aos negros (já tive um amigo negro mas não atualmente) e polacos (estes concentraram-se na Paraná). Os negros não são tão representativos no estado de São Paulo e em geral pertencem menos a classe média. Podemos identificar a origem das pessoas pelo seu sobrenome. Dos paises latinos, apenas a França não enviou contingentes significativos de imigrantes ao Brasil. Para namorar me dei melhor com as descendentes de italianos, embora tambem tenha tido relacionamentos com alemãs, portuguesas, espanholas e "brasileiras".
Ninguem foge do seu tempo
As pessoas não fogem de seu tempo. Podem no máximo estar na vanguarda. O mesmo acontecia com o espaço. Durante milenios os homens foram nomades. Depois do advento da agricultura passaram a serem ligados a terra e portanto fixos. E finalmente vieram as cidades e devido as dificuldades a maioria ficava por ali mesmo. Por isso poucos fugiam de seu "espaço" tambem. Quem podia falar um lingua diferente ? E a guerra ? A guerra impunha a lingua do invasor aos dominados. E assim a coisa ia. Com o advento e aperfeiçoamento das comunicações veio a globalização e com ela o contato com o mundo todo e suas diferenças. As novidades chegam muito rápido a todos os lugares do mundo. Sabemos os dados e podemos comparar instanteneamente todos os povos e países. Existem rankings de tudo e de todos. E ainda assim a humanidade avança a passos de tartaruga, isso quando não retrocede. O Brasil é um pais abençoado por Deus e bonito por natureza como diz a musica. Também é uma sociedade conflitiva e com muitas mazelas e vícios. Como quase todos os paises do mundo tem coisas boas e coisas ruins. Os paises mais avançados do mundo são pequenos em população e homogêneos na qualidade de vida de seus habitantes. Chegamos a conclusão que fugir do tempo é impossivel devido a globalização e fugir do espaço é tão dificultoso e custoso, devido aos vínculos da lingua, da nacionalidade e do parentesco e amizades, que podemos dizer que é praticamente impossível.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
A universidade brasileira
Algo que eu sempre imaginei mas que foi comprovado: no ranking das 200 melhores universidades do mundo não existe nenhuma brasileira. A USP que é a melhor classificada ficou em 232 lugar. E dentro da USP existem cursos melhores e piores, com maiores e menores recursos. O pais recordista como sempre foi os Estados Unidos, com 72 universidades listadas entre as 200 melhores. Isso confirma o acerto do que sempre eu fiz: buscar o conhecimento e a inovação nos livros americanos (os livros são os depositarios do conhecimento) e atentar para as pesquisas feitas na USP. Levando-se em consideração que dificilmente conseguimos avançar muito em termos de origem social e cultural, posso dizer que fico satisfeito em ter estudado em duas faculdades da USP: A Escola Politecnica e a Escola de Administração e Economia. O próximo nivel de desenvolvimento da nossa saga familiar será termos uma filha estudando medicina na USP ou então um sobrinho estudando em uma universidade americana conceituada, como Harvard.
A manutenção de vínculos afetivos e seus custos
Recentemente li um artigo de um estudioso das ciencias sociais sobre o custo da manuntenção dos vínculos afetivos, que seriam proibitivos para os pobres e que por isso seriam um dos motivos das dificuldades deles em conseguir melhorar de vida. A pesquisa mostrava que aqueles que tinham tais vínculos, em particular com pessoas de classes sociais mais privilegiadas, tinham renda maior. Em comparação com pessoas de classe média e alta, que iam para a universidade, ele verificou que o fato de fazer universidade criava vinculos entre esses alunos e esses vinculos se mantinham na vida profissional e aumentavam as possibilidades de ganho. Acho que essas observações são verdadeiras para profissões com abundância de vagas e sem grande competição. Nos demais casos, os seus colegas de faculdade, serão, no dia seguinte a formatura, seus concorrentes, e a competição destroi a possibilidade de amizade, companheirismo e auto-ajuda. Basta ver como certas empresas tratam seus concorrentes: como inimigos a serem "destruídos" e eliminados.
A Função de Auditoria
Já comentei sobre que é sutil é pouco percebido e entendido pelas pessoas. A função de auditoria é um desses casos. Muitas pessoas não entendem que alguém tem de fiscalizar o bom andamento e as diretrizes nas empresas. Mesmo porque essa preocupação em geral somente existe nas grandes e sofisticadas empresas, muitas delas multinacionais, que são muito poucas aqui no Brasil. O auditor verdadeiro, aquele que honra a profissão, pode ter várias especialidades. No entanto, nossa cultura brasileira não favorece esta profissão. Enquanto nos Estados Unidos, de cada 10 profissionais que se formam em finanças 3 ou 4 são auditores, aqui no Brasil, exceto os auditores das firmas de auditoria independentes, que se limitam a revisar os demonstrativos financeiros e contabéis, temos poucos profissionais. Esses auditores contábeis independentes tem seu oficio garantido pelas leis das sociedades abertas e são fiscalizados. No Brasil é assim: somente o que é exigido legalmente é respeitado e as vezes nem isso. Outro fato interessante sobre a profissão, em particular na auditoria interna, é que até mesmo os Diretores Financeiros, que seriam os mais interessados em ter uma auditoria interna forte, muitas vezes não destinam recursos adequados para essa função e reclamam dos resultados obtidos. Suspeito que ajam assim porque a auditoria traz problemas para eles resolverem e muitos simplesmente não querem saber de problemas, preferem empurrar com a barriga.
domingo, 19 de setembro de 2010
Sacrificio X Sofrimento
Outro dia ouvi a diferença entre sacrificio e sofrimento: sacrificio seria algo de que nós nos privamos com um objetivo maior. Seria o caso de poupar hoje para comprar a vista amanhã, tirando vantagem dos altos juros praticados no Brasil. Já sofrimento seria uma expiação, aparentemente sem uma finalidade. Nesse caso acho que podemos incluir as doenças. Quem gostaria de ficar doente ? No entanto, existem sacrificios que parecem serem em vão e sofrimentos desnecessários. O problema é que quando estamos no meio desses processos muitas vezes não temos o discernimento necessario para sabê-lo. Já fiz muito sacrificio e tambem já sofri bastante. Atualmente não passo por nenhuma dessas situações mas nunca sabemos o que o futuro nos reserva . . .
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Erros fatais
Tentar entender o porque dos acontecimentos, das reações das pessoas e dos desfechos sempre foi um dos meus interesses. A principal razão é evitar repetir erros e não cometer erros "fatais". Erros fatais me lembram os pecados mortais, aqueles que levam a perdição das almas . . . As boas empresas tambem agem assim, através do planejamento estratégico e da melhoria continua. Hoje vou analisar dois erros fatais em se tratando de relacionamento amoroso: acreditar que brigas são resolvidas por argumentos racionais e que as pessoas mudam e melhoram com o tempo, como na escola, em que se evoluiu ao ser promovido de ano. Uma pesquisa feita por uma matematico inglês mostrou que os casamentos que duram tem uma caracteristica comum: os pares concordam cinco vezes mais do que discordam. Este dado mostra de maneira inequívoca que os semelhantes em opiniões e modo de ver o mundo tendem a ficar casados. Depreende-se dessa observação que aqueles que seguem a mesma religião, tem nivel socio economico cultural parecido, são bonitos ou feios, tem idades compativeis e nivel educacional proximo tendem a serem parceiros por mais tempo. Resumindo: diferenças afastam e semelhanças aproximam. Com relação a segunda observação, já escrevi um artigo chamado "não se case com um potencial": as pessoas são o que são e sua evolução, se ocorrer, será lenta, penosa e dependente de uma grande vontade interior de mudar. Ou seja, mudanças são muito dificeis e improváveis.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Redes de Relacionamento Social
A grande verdade é que em função do grande numero de pessoas procurando ascensão social e o pequeno numero de bons empregos temos que as redes sociais tem se mostrado cada vez mais importantes. Todos sabemos que seguir a carreira de um dos pais é muito mais fácil que ser um "desbravador"ou "pioneiro". Aqui temos o interesse pessoal, a habilidade e a existencia de demanda para a profissão escolhida como determinantes do sucesso. O estudo é condição sine qua non , necessária mas não suficiente. Um tipo de inteligencia que não se aprende na escola, a interpessoal, é a responsável pelo sucesso no comércio e serviços. As profissões de nivel superior são em geral exercidas em grandes organizações, exceção as profissões liberais. Já a inteligência é multipla, como Gardner postulou. Na minha familia todos nós fomos pioneiros: meu pai como executivo contabil-financeiro/advogado. Minha mãe como professora. Minha irmã como dentista/prestadora de serviços e eu como engenheiro/auditor. Agora a saga deve continuar com minha filha escolhendo medicina. Nossa familia é de prestadores de serviço, funcionarios publicos e empregados de multinacionais.
Felicidade sentimental, idoneidade moral e amor pelo conhecimento
Segundo o terapeuta Flavio Gikovate as qualidades descritas no titulo desta postagem são democráticas, ou seja, estão ao alcance de um grande numero de pessoas. Elas devem trazer a felicidade para as pessoas que as possuem e se opoem as qualidades aristocráticas, como a beleza, a riqueza e a fama, que necessariamente tem de ser possuídas por poucas pessoas. É facil entender a idoneidade moral como uma virtude: quem é honesto e sincero teoricamente tem a consciencia tranquila e deve dormir o sono dos justos. O amor pelo conhecimento já requer um pouco de sofisticação intelectual, principalmente num pais com baixa propensão a leitura como o Brasil. E a felicidade sentimental é muito facilmente entendida: espera-se que procurando bem encontremos uma parceria boa. Com a internet as chances de encontrar aumentaram muito: são milhões de pessoas cadastradas e da quantidade se extrai a qualidade. Além disso as distancias foram diminuidas graças aos recursos de comunicação existentes hoje em dia, ampliando muito o alcance de possíveis pretendentes.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Primeiros amores
Hoje me lembrei dos meus primeiros amores, que aconteceram no inicio da adolescência . . . o interessante é que eu não percebia o interesse das meninas, já que elas eram discretas e buscavam aproximações indiretas: uma era minha vizinha e outra viajava no mesmo transporte escolar que eu. Ou seja, eram tentativas de aproximação tipicamente femininas, já que elas esperavam que seu afeto fosse correspondido. Da minha parte, como em geral acontece com os homens da espécie humana, apaixonei-me platonicamente por uma menina loura de olhos azuis que encontrei em uma festa de casamento do meu lado português. No entanto não havia sido apresentado a ela e então perguntei ao meu avô quem ela era. Meu avô disse apenas que ela era "parente" e me encentivou a ir conversar com ela. Nesse meu lado português eram comuns os casamentos entre familiares. No entanto eu era um pouco timido e tinha medo da rejeição das meninas. Não conhecia as reações e os interesses tipicos das mulheres, uma vez que nada disso me havia sido ensinado, como aliais ainda acontece com as crianças de hoje em dia. Os nomes ? Adriana e Isabel foram as que gostaram e mim, e, ???, a menina loura dos olhos azuis, perdida no tempo passado . . .
domingo, 5 de setembro de 2010
O Casamento no codigo civil: artigo 231
São deveres de ambos os conjuges:
I - Fidelidade recíproca.
II - Vida em comum, no domicílio conjugal.
III - Mútua assistência.
IV - Sustento, guarda e educação dos filhos.
Pois é . . . parece simples, não é ?
I - Fidelidade recíproca.
II - Vida em comum, no domicílio conjugal.
III - Mútua assistência.
IV - Sustento, guarda e educação dos filhos.
Pois é . . . parece simples, não é ?
A geração das mulheres de 20 hoje em dia
Uma pesquisa da revista época mostra o que pensam as mulheres de 20 anos. Basicamente elas estão conquistando o mercado de trabalho e querem continuar com os privilégios históricos que as mulheres tem na nossa sociedade. Ou seja: elas querem tudo ! É facil de entender o "avanço" das mulheres no campo do trabalho: elas estudam mais e ganham menos. Logo são os "trabalhadores" ideais para as empresas, pelo menos até ficarem grávidas. Hoje em dia, as mulheres com bom nivel educacional e financeiro tem um ou no máximo dois filhos e quando decidem ser mães sabem que terão de perder pontos na carreira (pelo menos no caso da iniciativa privada). Esses "pontos" já são precificados pelos empregadores, através dos salários mais baixos pagos as mulheres. Outro ponto interessante é que essas mulheres decidiram passar os valores dos seus pais para os seus filhos. Imagino que também irão passar as suas ideias descritas acima, pelo menos para suas filhas. Logo, estamos perpetuando um tipo de sociedade em que o individualismo está sendo levado as ultimas consequências. Embora individualismo não seja exatamente egoismo, com certeza é algo distante da amizade, cumplicidade, cooperação que se espera de um casamento. Onde não existe justiça e equidade não pode existir paz e esse parece ser o futuro dos relacionamentos.
sábado, 4 de setembro de 2010
A Liberdade Possível
A liberdade é uma das maiores aspirações do ser humano. Liberdade de expressão, de obtenção de uma profissão, de ir e vir. Na prática, as maiores liberdades são a de morar sozinho ou ter o seu espaço próprio e a de possuir uma condução, quer seja um carro, moto ou o que seja. Podemos lembrar tambem da liberdade de escolher uma religião ou culto. E a de escolher nosso conjuge e amigos.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Homens que se sentem diminuidos
Vejam como são as coisas: Os homens parecem que foram acostumados a serem os provedores da casa ao verem isso ocorrer com seus pais. E quando as mulheres ganham mais que eles os mesmos se sentem humilhados e tendem a trair a mulher para se sentirem mais homens. Isso é o que afirma uma pesquisa recentemente publicada. Aqui mais uma vez minha opinião é a de que o cerebro desses espécimes não deve ser muito desenvolvido. Dinheiro é bom e quanto mais (sem muito desgaste) melhor ! Eu não teria o menor problema de ter uma mulher que ganhasse mais do que eu. Desde que ela fosse uma pessoa generosa e boa tambem no resto. Prefiro andar de Mercedes Benz comprado pela mulher do que ser o macho da casa e andar de Celta !!!
Idiossincrasias
Todas as vezes que nos depararmos com algo que não tem lógica ou sentido, em geral estaremos diante de uma idossincrasia. Quando questionamos uma pessoa sobre algo encontraremos um motivo para sua ação. A natureza desse motivo pode ser a infância que esse pessoa teve, dificuldades e traumas vividos. A verdade é que ela pode se apegar a alguma coisa irrelevante para justificar sua decisão, uma pequena parte do todo, normalmente. É assim que alguém compra um carro porque "achou bonitinho" ou então namora um cafajeste porque ele é rico ou boa pinta ou o que seja. As pessoas que são assim fazem a festa dos vendedores, que sabem explorar as fraquezas emocionais de seus clientes (ou seriam vítimas ?).
Limitações dos conhecimentos das pessoas normais
Pessoas ditas "normais" somente aprendem quando estudam alguma coisa ou então quando executam alguma atividade (teoria e pratica). No entanto, existe um outro tipo de conhecimento, praticamente gratuito e muito útil: comunicar-se eficientemente e buscar soluções nas diversas mídias existentes. Existe um ditado chinês que diz que o sábio aprende com os erros dos outros, o tolo aprende com os próprios erros e o idiota não aprende nunca. Caso você tenha um amigo de verdade em uma atividade que te interesse ele poderá te ajudar a evitar cair em armadilhas. A pessoa também pode procurar um livro escrito por um especialista no assunto em pauta ou consultar a internet. No entanto, para que essas medidas sejam eficazes, é necessário que a pessoa se mova em direção ao seu objetivo. No caso da pessoa ser um "morto vivo" nada disso acontecerá: ele somente será levado por forças externas. O tamanho do lugar em que a pessoa vive e os seus deslocamentos também podem ser limitações a expansão dos seus conhecimentos. A regra geral é a passividade: quase ninguém pensa estrategicamente ou faz planejamento para o futuro. A maioria vive apenas o presente e de forma ruminante: sem questionamentos, ponderação ou reflexão. Essa é a triste realidade aqui no Brasil . . . .
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Livros e seus leitores
Existem milhões de livros (li que estimaram em 130 milhões no mundo !). Quantos você leu ou lerá em toda a sua vida ? A resposta depende de onde você vive. Caso seja na França, você terá lido muito mais que no Brasil, por exemplo. Agora uma questão mais complexa: quais livros as pessoas leem ? A resposta depende de novo do pais mas acho que podemos dizer que em geral (pelo menos no ocidente) serão romances e os leitores serão predominantemente mulheres. Essa mesma logica pode ser observada em uma biblioteca municipal comum aqui em São Paulo (existem bibliotecas especializadas que não contam). Tambem temos as listas de mais vendidos publicadas pelos jornais: ela é dividida em ficção e não ficção e tem muitos livros de auto-ajuda. Outra fonte de informação é observar as casas das pessoas. Existem livros nas estantes ? Os moradores da casa tem uma biblioteca ? É triste constatar que na maioria das casas não existe livro algum e muito menos uma biblioteca. E quando a pessoa compra um livro, em geral é por necessidade academica ou por lazer (literatura, por exemplo). A curiosidade parece não existir aqui no Brasil e as pessoas parecem que não querem saber de nada novo, explorar novos horizontes. Mesmo profissionais que precisam se atualizar muitas vezes não o fazem, muito provavelmente por preguiça (ler dá trabalho e para pessoas como o Lula é chato). Nos livros está o conhecimento acumulado da humanidade. Sempre li muito e frequentei bibliotecas. Minha sede de saber sempre foi grande e hoje em dia leio o jornal, livros diversos (o último foi "Cadê minha sorte ? ") e revistas. Frequento bibliotecas pelo menos uma vez por semana e por horas. Leio muito na internet e sou auto-didata desde o 3o ano colegial. E vejo que lamentavelmente sou uma exceção e que as pessoas preferem acreditar em "salvadores da pátria"(gurus) e no "ouvi dizer".
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