Sou bom em fazer previsões porque sou consciente, coisa muito rara na humanidade e em particular no Brasil. As pessoas que conheço de perto, que são meu amigos, tiveram uma vidinha comum, sem grandes doenças nem grandes receitas ou despesas. Ou seja, trabalham até hoje porque não foram consumidos pelo seu trabalho. Essas pessoas estão na faixa dos 54 anos. Algumas já foram demitidas dos seu rentáveis empregos em multinacionais. Outros veem que esse momento se aproxima perigosamente. Todos se sentem como jovens de 20 anos, prontos para os próximos 40 anos de trabalho árduo. De todos eles ouço que nunca ficarão "parados". Um deles sonha em ser professor de inglês. O outro diz que fará algo com as mãos. Uma terceira diz que não se sente confortável para viver a vida aos 54 anos e que fará algo para ganhar dinheiro. Eu da minha posição de observador e guru imagino que todos estão se enganando e não tem consciência do que é o Brasil e suas oportunidades. Para ter alguma retirada razoável você precisará ser empreendedor. E empregado de multinacional, não importa o nível, sempre foi empregado. Mesmo para quem é empreendedor por ter herdado a firma do pai, alguns desafios acontecerão, sendo muito provável que a escolha recaia sobre algum trabalho manual bem remunerado, como descupinização. Eu já levei meu quinhão da vida e não tenho a menor pretensão de sofrer mais. Vou esperar o tempo dizer se meus amigos também mudarão de opinião depois de enfrentarem a realidade.
segunda-feira, 2 de março de 2015
domingo, 1 de março de 2015
Consequências da recessão
Minha experiência com recessão mostra que a vida para: pessoas não compram bens de raiz porque não tem dinheiro para isso. Preços dos imóveis são corrigidos no máximo pela inflação e a liquidez que é baixa simplesmente "despenca". Carros continuam sendo produzidos e aumentam no mínimo com a inflação e as vezes até mais. A consequência é que vendem menos e o mercado de usado também trava. Despesas de lazer são em geral diminuídas, como comer fora de casa. Para quem está empregado as promoções são congeladas e a ameaça do desemprego fica pairando sobre a sua cabeça, com a pressão de não arrumar mais emprego na área pelo mesmo salário. Escolas particulares não tradicionais fecham aos montes. Planos de saúde perdem clientes e pressionam os médicos, laboratórios e hospitais. As pessoas acostumam-se no come, dorme e trabalha. Os oportunistas surgem querendo fazer compras por preços indecentes. Mais pessoas submetem-se a fazer trabalhos muito inferiores a sua capacitação. As deslealdades de todo tipo aumentam, incluindo traições e desfalques. Para mim não mudará nada: eventuais fornecedores que fecharem ou decaírem de qualidade serão substituídos por outros. Não pretendo comprar nenhum imóvel e posso esperar para vender. O carro será substituído de qualquer forma em algum momento futuro, sem pressa também. Apenas a vida aqui no Brasil ficará mais difícil, pessoas entrarão mais em depressão , comemorações e manifestações de felicidade e alegria irão diminuir, o isolamento será a regra. Inovações, grandes conquistas, beleza, as coisas boas de Urano, Júpiter e Vênus serão diminuídas. É isso.
Brasil - 35 anos
Fiz vários artigos sobre as décadas e o que aconteceu na minha vida, consequência das fases e idades que eu tinha e do que acontecia socialmente, culturalmente, financeiramente no Brasil e no mundo. Hoje vou falar do Brasil. O Brasil avançou mas pouco, principalmente nas classes inferiores. Na prática bons empregos, aumento das exportações e importações, fabricação de produtos manufaturados, aumento da população bilíngue, aumento do número de universitários bem formados, melhoria real da escola pública, melhoria real da saúde, melhoria real na segurança pública, tudo isso não aconteceu ou aconteceu muito lentamente e um pequena quantidade. A prova disso pode ser observada nos jovens e adultos que conheço, com idades de 30 a 43 anos. Eles resolveram consumir sua renda e não comprar bens de raiz, talvez por que sua renda seja insuficiente, talvez por terem nascido em uma época em que o apelo por consumir seja muito grande, talvez por que gozem de liberdade sexual nunca antes existente, que permite postergar comprar um imóvel e fundar uma família. O que mudou foi que várias transferências de renda foram efetuadas para os mais pobres, que obviamente na maior parte das vezes não tiraram grande proveito delas (efeito muleta). Outra mudança foi o aumento de bons empregos públicos, de forma que os bem preparados filhos da classe média tiveram uma válvula de escape. Essa válvula existiu na década perdida de 1980 mas em menor escala e com cargos e salários mais baixos. O que vemos hoje é uma multidão de pessoas mal preparadas mas raivosas, que acham que devem ganhar mais sem fazer por merecer. Que querem que o governo lhes dê tudo da melhor qualidade. A propensão das pessoas de fazerem sacrifícios aqui no Brasil diminuiu muito e a propensão de ganhar no papo, na dissimulação, na corrupção, na fraude judicial aumentou muito. Piorou muito o relacionamento em geral, a consciência, a competência e a integridade. Ou seja, a maturidade do povo diminuiu muito.
O método de tentativa e erro é muito dispendioso
E por isso somente é usado nas áreas de pesquisa e desenvolvimento onde não exista outra opção. A regra é simples: devemos usar todo conhecimento disponível a preço de banana. fazer simulações e simulacros, consultar Deus e o Mundo para então investir recursos na realização de algo. Fazer por tentativa e erro, na "orelhada", tem uma enorme chance de dar errado muitas vezes antes de dar certo. No entanto, aqui no Brasil muitas coisas são feitas assim "na orelhada" e por isso construções caem, produtos são adulterados, remédios não tem efeito e todo tipo de desgraça acontece, com a corda sempre arrebentando do lado mais fraco. Sociedades como a Americana funcionam muito melhor, por exemplo. E quem puder deve considerar seriamente a possibilidade de mudar-se para Miami e viver por lá, com trânsito civilizado, poucos assaltos, qualidade de vida, clima agradável . . .
A especialização excessiva
Chegamos um ponto em que pessoas não se interessam nem pelas áreas conexas a sua profissão. Ou seja, temos médicos que são cardiologistas que nada sabem sobre psiquiatria, já que não se trata da sua "especialidade", por exemplo. Seria o caso do engenheiro calculista que nada sabe da execução da obra, do dentista especializado em canal que nada sabe de prótese, do pequeno empresário que nada sabe das grandes empresas e por aí vai. Aqui temos aquela frase do Einstein que disse que o Universo para uma pessoa se resume aquilo que ela conhece, sendo que a mesma ignora veementemente todo o resto. Triste saber que existem essas pessoas, porque problemas realmente complexos são multifatoriais e exigem o esforço de vários especialistas. Pessoas bitoladas não estão preparadas adequadamente para enfrentar esses casos desafiadores. Deve ser a regra geral.
A grande empresa
Tenho meu um amigo pequeno/médio empresário. Em nossas conversas eu costumo lhe contar como são as grandes empresas. E hoje percebi que ele não compreende em nada o que acontece em uma grande empresa porque não é a realidade dele, que é um São Tomé. E olha que eu acho meu amigo um bom empresário, competente. bem relacionado e integro. Falta ao meu amigo consciência. A consciência que já foi desenvolvida por grandes empresas multinacionais. Grandes empresas funcionam na base da confiança e do fluxo de informações constantes. A confiança é fundamental mas ela vem sempre acompanhada do controle. Já a comunicação é a arma dos generais. E generais somente existem em grandes exércitos. Não espere generais em pequenas empresas familiares.
Consciência X São Tomés
Das qualidades de quem é maduro, que são a consciência, o relacionamento, a integridade a competência, a consciência é muito prejudicada nos São Tomés. Isso acontece porque esse tipo de gente só acredita no que vê e naquilo que põe a mão. E a consciência pressupõe alguém que sabe as consequências futuras das suas ações, que somente serão percebidas tempos depois da ação. São aquelas pessoas que sabem o que é o intangível, o inefável e por ai por diante. O São Tomé tem muita dificuldade em projetar situações futuras ou entender outras realidades que não a sua. Já foi dito que a consciência é a mais recente evolução do cérebro humano e é a primeira a ser esquecida em casos de estresse. Portanto não é espantoso que tão poucos tenham consciência.
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