Eu prendi a pensar na faculdade. Na verdade eu já tinha começado a ser auto-didata no colegial. Só que eu sou exceção. É muito comodo deixar o seu futuro e o seu destino na mão do professor e da escola: você fica iludido, imaginando que por passar nas provas você estará apto para desenvolver a profissão para a qual está estudando. Assumir a responsabilidade pelo seu destino é muito mais difícil mas necessário. É necessário olhar para dentro para poder escolher conscientemente o que você pode, deseja e o mercado necessita. E nossa sociedade não nos ensina olhar para dentro, fazer introspecção. Pelo contrário, ela incentiva olhar para fora, para as aparências e superficialidades. E então ficamos enganando os jovens e nos enganando como sociedade, com prejuízos incalculáveis para todos nós.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
terça-feira, 5 de junho de 2012
Embarangar
A palavra foi ouvida por mim como um comentário sobre as mulheres pobres, que cedo perdem a beleza da juventude devido as péssimas condições de vida e ao fato de terem dois filhos na média. A beleza estaria restrita as mulheres que tivessem dinheiro para esse luxo, como as que são de classes mais elevadas ou as que tem maridos que as bancam. Com dinheiro é muito mais fácil ficar bonita. E a beleza é o bem mais valorizado na mulher aqui no Brasil. Teve até um reality show chamado "Mulheres Ricas" por aqui . . .
Quem tem de se preocupar
Somente quem possui ativos, sejam eles bens ou dinheiro, tem de se preocupar. A grande maioria das pessoas não possui bens e por isso não se preocupa. Ao contrário, passa a preocupação para o banco, que financiou sua casa e seu carro. Essas pessoas preocupam-se em trabalhar e ganhar dinheiro apenas. Deixam para o governo a preocupação de educar seus filhos bem como a preocupação com a saúde de toda a sua família. Não se preocupam com a política nem procuram atuar na condução do seu destino, nem mesmo indo na reunião do condomínio. Todas as decisões são tomadas por terceiros em seu lugar. No voto de pareto vemos que essas pessoas são cerca de 70 a 80% dos brasileiros. Elas também não tem de pensar muito, nem ler jornais ou revistas. Pensar é algo muito desgastante para eles. Eles são o retrato do Brasil e agora são chamados de classe C. É para eles quase todas as leis são feitas, inclusive a tabela de apuração do imposto de renda e a cobrança de todos os outros impostos. Ser diferente deles custa caro aqui no Brasil, porque tudo que é para poucos não tem economia de escala e por isso sai mais caro. Para quem é da classe superior resta sempre a possibilidade de cair e passar a adotar as soluções da classe mais baixa e é o que muitas vezes acontece na prática.
Carros usados e restrições
Li uma notícia que dizia que 75% dos carros usados tem algum tipo de problema ou restrição. A maior parte dos carros é financiada aqui no Brasil. Muitos são batidos. Outros tem multas pendentes. Na hora de vender o carro é a mesma história: o potencial comprador tem medo de negociar diretamente com o vendedor particular. Ele não tem conhecimento suficiente sobre veículos usados e teme ser enganado. Muitos ao comprar um veículo usado usam o expertise de um mecânico amigo para ajudar a fazer uma avaliação. Quem compra veículos novos ao vendê-los para comprar novamente um novo pode enfrentar dificuldades. Ao longo da vida comprei e vendi muitos carros e com isso adquiri experiência. É complicado casar a melhor venda com a melhor compra. No lado da compra nem sempre o modelo com os opcionais que você quer está disponível te esperando na concessionária. Na hora de vender você pode não ter como conservar seu veículo usado ao mesmo tempo que ele continua a te gerar despesas. O ideal seria primeiro vender o veículo que você possui, de preferência para um particular e depois ir na concessionário fechar a compra do veículo novo.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
A faculdade de engenharia
A faculdade de engenharia dura pelo menos 5 anos aqui no Brasil. Na USP o curso é semestral. A cada semestre você tem até 8 disciplinas. Vamos dizer que na média sejam 6: 6 X 10 = 60 disciplinas diferentes. Cada disciplina tem um livro texto ou apostilas para ser estudadas. O volume de matéria e conhecimento é enorme. E as provas (que são o que interessa) são em 95% aplicação de fórmulas e resolução de problemas. Muita. Mas muita matemática. Não como ciência pura mas como ciência aplicada. Não recomendo a ninguém fazer engenharia se não gostar muito de matemática mas também aviso que somente isso não será suficiente para te fazer ser um engenheiro de verdade. O caminho é longo e árduo.
Resiliência
Existem pessoas que sofrem resignadas. Tudo parecem suportar de forma estoica. Devem ser masoquistas. E existem pessoas que não gostam de sofrer e que procuram evitar o inevitável, que é o sofrimento nesta vida. Eu preciso de um equilíbrio: já sofri muito e não gostei. O sofrimento deixou cicatrizes. A palavra paixão tem mais de um significado e um deles é sofrimento. Daí vem a paixão de Cristo. A palavra paciência tem o mesmo radical. Portanto, quem precisa de paciência precisa sofrer. É difícil ter paciência, porque é difícil sofrer. Penso no significado de paciente, quando falamos em termos médicos. Lembro naquele ditado que pede a Deus paciência para suportar as coisas que não podemos mudar e discernimento para perceber o que pode e o que não pode ser mudado.
As mudanças nos juros
Com a redução dos juros decretada pela Dilma, tudo mudou para nós brasileiros. Com toda mudança feita pelo governo, alguns ganharam e muitos perderam. O governo tem essa natureza: ele é como um animal poderoso, que é comandado muitas vezes por pessoas mal preparadas ou mal intencionadas ou as duas coisas. Com a mudança dos juros o governo economiza. Essa economia poderia ser utilizada para fazer investimentos e ai o governo estaria transferindo dinheiro de uns para outros na economia produtiva. Ou o governo poderá usar esse dinheiro para pagar melhor seus funcionários criando uma casta ainda mais privilegiada. A verdade é que a alternativa de juntar dinheiro, formar uma carteira razoavelmente diversificada, para complementar a aposentadoria ficou muito mais difícil. Ficamos parecidos com os Estados Unidos, sem ter a estrutura dos Estados Unidos. O Brasil é um modelo híbrido. Algumas coisas herdamos do modelo europeu e outras do modelo americano. O futuro nos mostra que teremos de acumular recursos e depois gastá-los e rezar que a morte chegue a tempo de que o dinheiro não acabe. Trata-se de um modelo de alto risco. Os custos estão subindo e as receitas não estão subindo na mesma proporção. O final da estória é menos filhos, filhos mais preparados para poderem ganhar mais através do aumento de produtividade, diminuição das falhas, aumento dos seguros e necessidade maior de buscar alianças boas. Devem aumentar também os golpes de todo tipo. É como diz o Gikovate: somente bons casamentos deverão sobreviver. Somente bons profissionais, bem formados terão sucesso significativo. Somente empresas bem administradas conseguirão superar as barreiras.
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